Entenda o que é o Programa Emprega + Mulheres e o que muda para as empresas

Eliezer Leal • 29 de março de 2023

A desigualdade de gênero é uma realidade no mercado de trabalho brasileiro. Apesar dos avanços alcançados nos últimos anos, as mulheres ainda enfrentam muitas dificuldades para acessar oportunidades de emprego e garantir a igualdade de condições com relação aos homens. Para combater essa desigualdade, o Governo Federal criou o Programa Emprega + Mulheres, que incentiva a contratação de mulheres pelas empresas. 

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , a taxa de desemprego entre as mulheres é superior à dos homens. Além disso, as mulheres recebem, em média, salários menores do que os homens, mesmo quando exercem a mesma função. Por isso é tão importante ter ações que fortaleçam a presença feminina no mercado. 

Neste artigo, vamos explicar o que é o programa, o que diz a lei e quais foram as principais alterações. Além disso, vamos discutir como ele impacta o mercado de trabalho para as mulheres. Confira!

O que é o Programa Emprega + Mulheres?

O Programa Emprega mais Mulheres foi criado em 2022 pelo Governo Federal. Seu objetivo é incentivar a participação das mulheres no mercado de trabalho. Para isso, a lei garante iniciativas de capacitação profissional e apoio à parentalidade na primeira infância. Aumentando também os benefícios para que os pais dividam o cuidado com as crianças. 

O que diz a lei?

O Programa foi instituído pela Lei nº 14.457 de 2022, que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A iniciativa busca incentivar a inclusão e permanência de mulheres no mercado de trabalho. Para isso, aprovou medidas que encorajam as empresas a contratar, capacitar e promover mulheres. 

As medidas incluem flexibilidade no horário de trabalho, combate ao assédio sexual e incentivo à qualificação em áreas estratégicas. A lei também prioriza a alocação de vagas para trabalhadores com filhos menores de seis anos em atividades que possam ser realizadas remotamente e permite a antecipação de férias individuais para mães de crianças até dois anos.  

Junto com as ações relacionadas à maternidade , o programa inclui incentivos para a qualificação profissional feminina, apoio ao microcrédito para mulheres e prevenção e combate ao assédio sexual e outras formas de violência no local de trabalho. Além disso, a Lei fortalece o sistema de qualificação de mulheres vítimas de violência doméstica.

Quais foram as principais alterações?

A lei que instituiu o Programa Emprega + Mulher alterou alguns artigos da CLT para garantir mais direitos às mulheres. Por exemplo, a lei amplia a licença-maternidade em empresas cidadãs em mais 60 dias. Essa extensão pode ser compartilhada com o pai se ele também trabalhar em uma empresa cidadã. No caso das mães, os 60 dias ainda podem ser substituídos por 120 dias com meia-jornada.

A lei determina ainda que os companheiros têm direito a seis dias para acompanhar a grávida em consultas e exames. Antes, eram garantidos apenas dois dias para os pais. 

O Programa também estipula que empresas com mais de 30 funcionárias devem ter espaço adequado para acomodar os filhos durante a amamentação. Caso a empresa não ofereça esse espaço, as mães têm direito a um reembolso-creche. Outra mudança garantida pela Lei foi a garantia do auxílio-creche para crianças até os 5 anos e 11 meses. 

Além disso, a legislação estabelece medidas para criar um ambiente de trabalho mais saudável e seguro para as mulheres. Entre elas, estão a prevenção e o combate ao assédio sexual e outras formas de violência no ambiente de trabalho. Para isso, as empresas devem adotar as seguintes ações:

  • Incluir regras de conduta nas normas internas para combater a violência em todas as suas formas.
  • Estabelecer procedimentos para o recebimento e o acompanhamento de denúncias, sem prejuízo dos procedimentos jurídicos aplicáveis.
  • Incluir temas relacionados à prevenção e ao combate ao assédio sexual e outras formas de violência nas atividades e práticas da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA).
  • Realizar ações de capacitação, orientação e sensibilização dos empregados e empregadas de todos os níveis hierárquicos sobre temas relacionados à violência, assédio, igualdade e diversidade no trabalho, no mínimo a cada 12 meses.

Como o Programa Emprega + Mulheres impacta o mercado?

O Programa Emprega mais Mulheres tem um impacto muito positivo no mercado de trabalho para as mulheres brasileiras. Hoje, o retorno da licença-maternidade é um grande desafio para elas. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que, após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade estão fora do mercado de trabalho.

Por isso, a iniciativa federal garante mais segurança para as mulheres que desejam voltar ao mercado após a maternidade. Junto disso, as ações para qualificação e prevenção à violência atuam para garantir que elas possam ingressar e continuar no mercado. 

A participação das mulheres no mercado de trabalho é fundamental para o desenvolvimento econômico e social do país. Segundo dados do IBGE, em 2020, as mulheres representavam 44,5% da população economicamente ativa no Brasil. No entanto, as elas ainda enfrentam muitos obstáculos, como a discriminação de gênero e o assédio. 

Quais as vantagens de aderir ao programa?

Além dos compromissos estabelecidos pela lei, há inúmeras vantagens de aderir às novas regras. De acordo com a lei, as empresas que implementarem as diretrizes serão reconhecidas com o Selo Emprega + Mulher. 

Micro e pequenas empresas que tiverem o selo terão incentivos fiscais do Governo, através do Pronampe, o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. De acordo com as regras atuais, o limite de crédito concedido pelo Pronampe é de até 30% da receita bruta ou até 50% do capital social para empresas com menos de um ano de funcionamento, com prazo de pagamento de até 36 meses.

No entanto, as empresas com o Selo podem receber empréstimos de até 50% da receita bruta anual ou até 50% de 12 vezes a média da receita bruta mensal, dependendo do que for mais vantajoso, com prazo de pagamento de até 60 meses.

Portanto, é muito importante que as empresas se adequem às novas regulamentações e procurem obter o Selo Emprega + Mulher. Pois isso pode ajudá-las a promover sua marca, produtos e serviços, além de receber benefícios fiscais.

No entanto, é importante destacar que o Programa Emprega + Mulheres não é a única solução para a desigualdade de gênero. É fundamental que as empresas se comprometam com a promoção dos direitos da mulher e valorizem a participação feminina no mercado de trabalho. Acesse nosso artigo sobre diversidade de gênero e saiba como sua empresa pode contribuir para um ambiente mais igualitário!

 

Equipe de negócios analisa dados em laptop e celular em uma mesa, discutindo gráficos.
Por Eliezer Leal • 30 de julho de 2024
Empresas em fase de consolidação no mercado encaram diversos desafios para a própria manutenção do negócio para se manterem competitivas dentro de mercado volátil.
Cinco colegas reunidos em torno de um laptop, sorrindo. Ambiente de escritório, grupo diversificado.
Por Eliezer Leal • 26 de julho de 2024
No mundo corporativo, o engajamento e o bem-estar dos colaboradores são assuntos críticos que devem ser tratados com seriedade.
Pessoa segurando uma bandeira do orgulho LGBTQ+ com as cores do arco-íris
Por Eliezer Leal • 28 de junho de 2024
Dia 28 de junho é comemorado o dia internacional do orgulho LGBTQIAPN+, a data rememora a rebelião de Stonewall em 1969.
Uma mulher negra apresenta um quadro branco para um grupo diverso sentado ao redor de uma mesa oval em um escritório moderno.
Por Eliezer Leal • 21 de maio de 2024
Mulheres recebem em média, 19,4% a menos que os homens, essa diferença fica ainda maior em cargos de liderança, a diferença de remuneração chega a 25,2%.
Mulher tapando os ouvidos, cercada por mãos apontando para ela, com aparência angustiada.
Por Equipe Singuê • 26 de abril de 2024
Organizações estão sempre buscando soluções para conflitos internos e externos, entre eles, práticas perversas como o assédio no trabalho é um deles.
Três pessoas negras em uma mesa, discutindo trabalho. Uma usa um laptop, a outra olha papéis.
Por Equipe Singuê • 3 de abril de 2024
Ao longo da vida colecionamos histórias, vivências, gostos, identidades e saberes que são transmitidos, através da ancestralidade ou pelas interações com o mundo.
Uma mulher sorridente e um homem olhando para um laptop juntos em uma mesa de madeira em uma casa.
Por Eliezer Leal • 28 de fevereiro de 2024
Em geral, profissionais negros enfrentam barreiras na entrada e na permanência no mercado de trabalho.
Pessoa digitando em um laptop com esmalte escuro e usando um relógio.
Por Eliezer Leal • 21 de fevereiro de 2024
Com um mercado avaliado em mais de US$ 1 bilhão, a área de tecnologia está muito aquecida. Profissionais de TI […] O conteúdo Mercado de tecnologia: entenda os desafios enfrentados por profissionais de TI negros aparece primeiro em Singuê.
Consultor financeiro revisando documentos com um casal de idosos em um escritório.
Por Eliezer Leal • 14 de fevereiro de 2024
A progressão de carreira para talentos negros é essencial, mas ainda existem muitos desafios a serem superados.
Dois homens olhando para um laptop, um deles com manchas de vitiligo. Sorrindo, fundo neutro.
Por Eliezer Leal • 24 de janeiro de 2024
Atualmente, 9 em cada 10 brasileiros querem mudar de emprego. Essa insatisfação parte principalmente da falta de perspectiva de crescimento. [